Powered By Blogger

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Camisas de Futebol

      Camisas de  futebol são uma verdadeira febre no Brasil! Além do time de coração, é normal vermos no dia-a-dia camisas de outros times circulando pelas ruas. O velho conceito de que torcedor de verdade é só aquele que "leva a catraca no peito" é tão antigo quanto a expressão "torcedor de radinho". Ir ao estádio é e sempre será a razão do futebol, mas neste post o sentido de ser ou não torcedor de verdade não será discutido, e sim, as formas que vários brasileiros tem hoje em dia de acompanhar não só o seu time como algum outro simpatizante da Europa ou da terra natal. 
  
Santa Cruz, Arsenal e São Paulo, minhas camisas
      Sou são paulino, e comecei a simpatizar com o Arsenal da Inglaterra no final do anos 90. Mas foi com o esquadrão de 2002 até 2006 que me encantei de vez! Com um futebol ofensivo comandado por Thierry Henry & Cia, o Arsenal venceu os campeonatos inglêses de 2002 e 2004 e a Copa da Inglaterra de 2002, 2003 e 2005. Logo alguns canais passaram a transmitir mais jogos da Europa (antes a TV aberta só transmitia os principais jogos) e a simpatia pelo Arsenal aumentou. Os Gunners nunca venceram uma Champions League e isso me seduziu ainda mais pra dar uma "força" para o time inglês. O tabu quase foi quebrado em 2006 na final vencida pelo Barcelona, causando muita frustração pra mim. De lá pra cá o time se desmanchou e não ganhou mais nada, porém a minha relação com o Arsenal como torcedor já foi estabelecida e não há mais volta!
Arsenal 2004, último título Inglês
       Pelo fato de ser filho de pernambucanos, sempre tive simpatia pela cultura do  nordeste, uma delas é o Santa Cruz, time do meu finado avô. A situação do tricolor nordestino nos últimos anos é comovente, porém muito radiante. Sua torcida não abandona o time mesmo o clube oscilando entre as séries B, C e D. Algo que não consigo imaginar com o meu São Paulo! E também não consigo ver essa relação torcida & time com o tricolor paulista como o Santa Cruz tem, e invejo isso!  
Santa Cruz Bi-Campeão 2011/2012
      Acompanhei as duas últimas conquistas do Santa Cruz (2011/12) no Campeonato Pernambucano contra o rival Sport Recife na casa do adversário pela TV a cabo, algo mais acessível para o brasileiro hoje do que há 15 anos atrás (assim como a internet). No mesmo dia me lembro de ter a possibilidade de ver outra final como a do Campeonato Paulista, mas preferi ver o Santa já que não me interessei pelos jogos daqui pelo fato do São Paulo não estar presente.

 
A Influência da TV

       O que antes só era possível pelo rádio nos boletins esportivos, hoje em dia até pelo celular tem como saber quanto esta o placar do jogo do seu time e de toda a rodada! Provando que a distancia não tem mais influência na decisão por acompanhar um time mais de perto.      
      Durante muito tempo a TV só transmitia jogos do Campeonato Carioca (Globo RJ) para 80% do país. Sabemos que não é mais assim! Com tantos recursos de informação que temos hoje, é possível ver seu time onde ele estiver e o efeito que durante anos fez com que pessoas do Norte/Nordeste torcessem apenas para times do Sudeste (maioria cariocas) por exclusividade da TV já não existe mais.  A tecnologia abriu portas até para novos torcedores como eu, que sempre estou de olho nos resultados do Santinha, um recurso que meu avô não teve porém não optou por nenhum time paulista. Mas se um cidadão escolhe torcer para um time de outro estado como nos velhos tempos nada contra! Os times cariocas não são mais unânimidade, e dividem preferências com os times locais e com os paulistas. Justamente por causa da TV, tanto aberta como a cabo, além de facilitar a vida dos brasileiros nesta questão de escolha, criou simpatizantes dos times da Europa no país. Os jogos da "Champions League" lotam bares e padarias por onde passo. Escrevo isso com propriedade porque vejo a realidade desse fenômeno, um verdadeiro sucesso de público."  
  
      Camisas pelo Mundo

      Usar uma determinada camisa também nunca foi uma regra para torcedor de verdade. Conheço várias pessoas que torcem para os times paulistas mas não gostam de usar a camisa. Uns tem medo da violência e outros simplesmente não gostam de usar. Com camisas de times da Europa percebo o seguinte: Com base nas pessoas que conheço, vejo que 90% delas torcem para um time do Brasil, e usam as camisas apenas porque acham bonitas ou porque são fãs de futebol. Eu acho isso muito bom! O Brasil é um dos poucos países que ainda não corre esse risco da internacionalização das torcidas.   
Camisa do Barcelona na China, a mais vendida
       Alguns países como na China (foto) onde o futebol não é o primeiro esporte, os times da Europa são verdadeiros fenômenos de venda de produtos oficiais dos clubes. A Argentina que é dotada de times tradicionais já existe uma grande torcida do Barcelona pelo fato do "Messi" jogar no time Espanhol. Mexicanos torcem ou pelo menos compram camisas do Manchester United  por causa do "Chicharito Hernandez" , colombianos fazem o mesmo com o  Atlético de Madrid de "Falcão Garcia" e uruguaios desfilam com a camisa do Napoli de "Edinson Cavani" e "Luis Súarez" do Liverpool pelas ruas de Montevidéu. Os brasileiros também não ficam de fora dessa lista tendo os nomes de jogadores aos montes como: "kaká", "Robinho" e do aposentado "Ronaldo" nas camisas do Real Madrid e Milan. O efeito das camisas aqui se torna maior se o jogador foi ídolo de algum time grande no Brasil antes de partir. O caso mais recente é o de "Lucas" que aparece estampado em 99% das camisas do PSG que circularem pelas nossas ruas.   
      "Usar uma camisa de algum jogador de seu país eu vejo como uma homenagem legal, mas torcer somente para um time europeu eu acho muito "pesado", não só para os brasileiros mas para todos os sul-americanos."   
Renato Paz de Lira, 31 anos, santista que acompanha
 o West Ham e usa camisa da seleção inglesa
     O Brasil peca justamente nesse ponto em que os nossos clubes não investem na marca a nível internacional. Conheço brasileiros que moram fora do Brasil e sempre reclamam da falta de notícia dos resultados dos jogos dos times brasileiros e da dificuldade de encontrar camisas de times brasileiros nas lojas. Com tantos clubes devendo, esta é uma receita que esta sendo jogada fora ano após ano!


Mudanças e Mitos
  
      Os primeiros passos para esse avanço de explorar a marca foram dados pelo Corinthians e São Paulo que possuem várias lojas (Poderoso Timão e São Paulo Mania) de artigos oficiais nos melhores pontos de São Paulo. Uma atitude obvia mas que não era adotada e ainda não é por times de tradição como o Santos que não tem uma loja oficial no principal shopping da baixada santista. O Flamengo com quase 40 milhões de torcedores não tem 5 lojas oficias em todo Rio de Janeiro. Um absurdo!!! Como vamos atingir o comércio exterior?     
      Existem muitos mitos no futebol e aqueles que não admitem pessoas que torcem para times de outro estado/país e que até mesmo nunca foram ao estádio. Já há aqueles que dizem que time só existe um e quem torce pra vários é bandeirinha. O fato é que moramos num país onde pelo menos a liberdade de expressão futebolistica não nos foi tirada. O direito de ir e vir com a camisa do time que lhe convém é de todos! Se há alguma coisa errada nessa situação é o fato dos nossos clubes não terem caído no gosto internacional por culpa dos dirigentes dos próprios clubes brasileiros. Quem gosta de futebol não teria nenhum problema em usar camisas de outros times pelos pubs do mundo a fora. Isso é o que eu sempre respondo quando sou criticado por usar a camisa do Arsenal.
      O fanatismo que alguns torcedores concentram rejeitando até mesmo a cor de um time rival pode ser minimizado com o uso frequente das camisas internacionais. Um exemplo disso seria torcedores rivais violentos que associam o verde ao Palmeiras, o azul ao Cruzeiro, o vermelho ao Inter e etc. Posso dizer que já vi corinthiano com camisa do Werder Bremen (camisa verde e branca) e Atleticano que usa camisa do Chelsea (os famosos blues) numa boa. Quem sabe essa ação a longo prazo não muda a cabeça de alguns radicais, tornando-os mais maleáveis!

Espaço do Leitor

Sandro Roberto, 38 anos tem suas preferências,  além do
Corinthians simpatiza com Arsenal e Ponte Preta
      Este espaço final do Blog será dedicado aos loucos que também torcem ou somente usam camisas de outros times. Se você também tem uma foto como esta envie e-mail para: Demedieval@hotmail.com e divulgaremos com prazer. Não esqueça de deixar seu nome, seu time e se quiser uma pequena história do porque da camisa, se é que existe alguma explicação. Obrigado.  

     Wagner Silva dos Santos de Jaraguá-SP, 35 anos e é flamenguista doente. Possui aproximadamente 15 camisas de times diferentes, mas a da seleção de Portugal e a do Milan são mais especiais juntamente com a do rubro negro carioca. Nesta foto a camisa do mengo é do time de basquete, a mais diferente das várias que possui.

Roberto Vagner de Mauá-SP, 30 anos é corinthiano. Tem muita admiração pelo futebol argentino e por isso usa as camisas da seleção e do Boca Juniors. Em uma viagem ao Nordeste ganhou a camisa do Sport Recife e juntou-se a coleção. Roberto também possui camisas dos times do ABC e seu novo alvo é a camisa do São Bernardo, uma vez que já possui as camisas do Santo André e do São Caetano.

Aline Franco de Brito de Taboão da Serra-SP, 27 anos é palmeirense e tem várias camisas no qual torce para alguns times em especial como Ajax-Hol, Juventus-Ita, Celtic-Esc e principalmente Arsenal-Ing. Entre as seleções sua preferida é a da Holanda. Além do Palmeiras, aqui no Brasil Aline também tem simpatia pelo Bahia.

Caio dos Santos Cavalheiro de São Bernardo-SP, 21 anos é são paulino e comprou a camisa do Milan por causa do futebol de Kaká. Sua irmã viajou para a Espanha e trouxe as camisas de Barcelona e Real Madrid de presente. Caio gosta de ver o futebol bem jogado e por isso gosta de acompanhar os dois. Só esqueci de perguntar para quem ele torce quando os gigantes se enfrentam! 

   
     


quinta-feira, 21 de março de 2013

Bandas do Canadá & Austrália

      Além da Europa e dos Estados Unidos, duas grandes nações de polos diferentes se destacam no mundo da música por exportarem bandas que se tornaram mundialmente famosas: Canadá e Austrália. 
      O que o segundo (Canadá) e o sexto (Austrália) maior país do mundo em território tem em comum fora o inglês como idioma principal? Enquanto a temperatura de um raramente ultrapassa os 15° graus no outro o clima é tropical praticamente o ano todo, ou seja, os cenários de inspiração são bastante opostos, porém, o bom gosto musical seria a melhor resposta para essa questão.  
      O vizinho norte americano tem o Rush como a maior e mais tradicional banda do seu país, já os australianos se orgulham de terem um cantor que virou ministro do governo. Veja quais são os outros 8 destaques, completando meu top 5 de cada país:

      O Rush vendeu mais discos do que o Canadá possui de habitantes (cerca de 34 milhões). A banda foi formada em 1968 em Toronto mas somente em 1974 gravou seu primeiro disco. A formação clássica é composta pelo baixista, tecladista e vocalista Geddy Lee, pelo guitarrista Alex Lifeson e pelo baterista Neil Peart. O Rush também é conhecido pela habilidade instrumental de seus membros e pelas letras complexas de algumas canções que aborda temas como filosofia, fantasia e ficção.  Até o momento, já são 20 álbuns oficiais e o título de "principal referência musical do rock progressivo". Sem dúvida é a banda mais premiada e bem sucedida de seu país...e uma grande influência mundial. Seus maiores clássicos são os discoss: "Fly by Night", "Moving Pictures" e "Roll the Bones" (foto de encarte).

      Se o próprio Metallica e Anthrax admitem que o som que eles fazem não seria o mesmo sem o Anvil quem seria eu pra dizer o contrário? No início do anos 80 as bandas americanas só tinham as inglesas como inspiração para fazer um som pesado. Dai o Anvil apareceu em Toronto com dois discos que mudaram toda uma nova geração: "Hard'n'Heavy" (1981) e "Metal on Metal" (1982). Foi uma das maiores estréias revolucionárias do mundo do Heavy Metal e também colocou o Canadá em um patamar mais respeitado no mundo do Rock. O guitarrista e vocalista Steve Lips e o baterista Robb Reiner são os únicos remanescentes da banda. Por uma questão financeira os caras eliminaram uma guitarra e se tornaram um trio. O Anvil segue a carreira fazendo shows quando entram de férias nos seus empregos pessoais!

      O trio canadense que anos mais tarde se tornou um quarteto ficou mundialmente famoso pelo fato de ter um baterista como vocalista principal (Dan Beehler). Não só por isso, o Exciter é apontado por muitos como criador do Power Metal ou Speed Metal, tamanha potência em se tratando de música pesada e velocidade. Depois da abertura de portas dos Estados Unidos em relação a gravadoras, o Exciter deixa a capital Ottawa e aproveita melhor a oportunidade, incluve mais que o próprio Anvil que iniciou o Heavy Metal no país! O Exciter se envolveu em várias turnes pelo mundo com bandas consagradas que a ajudaram crescer como Anthrax e Mercyfull Fate. Uma destas turnes passou aqui pelo Brasil em 1986 com o Venon.

Capa do disco Alice in Hell
      O Annihilator surgiu em 84 em Ottawa, mas seu primeiro disco e também seu maior clássico "Alice in Hell" foi lançado em 1989. Jeff Waters, guitarra, baixo e vocal é o fundador e dono da banda. O segundo disco "Never, Neverland" de 1990 serviu para marcar os canadenses da capital do país na cena thrash, aumentando a responsabilidade por um terceiro clássico que nunca veio! A formação é o maior problema ao longo da carreira do Annihilator, simplesmente 25 integrantes já passaram por lá até 2012. Enquanto isso, os dois discos de estréia continuam sendo reverenciados! 

      John Kay, vocalista e guitarrista do Steppenwolf nasceu na Alemanha nazista que depois virou parte da Russia, mas foi criado em Toronto no Canadá. O quinteto composto por dois canadenses, dois americanos e John Kay se mudou para os Estados Unidos e lançaram logo de cara um dos singles mais famosos da história do rock e um verdadeiro hino para os motoclubes do mundo. Trata-se de "Born to be Wild" de 1968. Embora a banda seja de Rock n' roll, foi nesta mesma música que o termo "Heavy Metal" apareceu pela primeira vez na frase: "Heavy Metal Thunder". Em 1971 John iniciou uma carreira solo paralela com o Steppenwolf, onde gravaram um DVD comemorativo em 2005. O útimo trabalho entre muitos até o momento.  

      A maior e mais famosa banda da Austrália tem uma história curiosa sobre sua nacionalidade. Bon Scott o primeiro vocalista da banda (entre 1974 e 1979) nasceu na Escócia mas foi criado em Sidney. Somente aos 15 anos de idade Scott conheceu os dois irmãos que como ele também nasceram na Escócia e creceram na Austrália, eram Angus e Malcolm Young. O único australiano de fato na banda é o baterista Phil Rudd pois o baixista original Mark Evans saiu para a entrada do Inglês Cliff Williams. Se isso não bastasse, com a morte de Bon Scott em 1980 o AC/DC para seguir a diante escolheu para o vocal o também britânico Briam Johnson. No disco de estréia de Briam (Back in Black), o AC/DC bateu records e se tornou o disco de rock mais vendido de todos os tempos e o segundo maior da história da música perdendo apenas para Michael Jackson. A Austrália tem pouco mais de 20 milhões de habitantes e o disco vendeu 43 milhões de cópias. O AC/DC se tornou uma das bandas mais respeitadas do mundo. Seu estilo Rock n' roll se mantém vivo por quase 40 anos, lotando shows com carga máxima por onde passam. Ai esta a fórmula para os mais de 200 milhões de álbuns vendidos!

VOCALISTA E MINISTRO PETER GARRETT
      O Midnight Oil é a banda mais patriota da Austrália. Além de escreverem letras que exaltam a beleza do país, a banda também tem um ideal político e ambientalista muito forte. A banda existe desde o final dos anos 70 mais foi somente depois de 1987 que eles ficaram famosos no mundo do rock por causa dos hits: "Beds are Burning", "Blue Sky Mining" de 1990 e "My Country" de 1993. Em 2004 o Midnght Oil encerrou as atividades por conta de seu lider Peter Garrett (vocalista careca) que deixou o mundo da música para se tornar ministro ambienteal da Austrália. Exatamente ocupando o cargo onde sempre quis estar!

      O INXS, que significa "em excesso" (forma fonética) gravou seu primeiro disco em 1980. A proposta na época era fazer um som "pós-punk-new wave", mas depois de 1983 a banda passou a assumir a postura que lhe caiu melhor, o pop rock. Este que permaneceu até o fim trágico da banda por conta da morte do vocalista Michael Hutchence em 1997. Em 2005 e 2010 a banda escolheu outros vocalistas para gravar dois álbuns mas nada se compara a época de ouro entre 1987 e 1991 onde o INXS conseguiu emplacar na Europa e Estados Unidos nada mais que 6 hits em primeiro lugar: "New Sensation", "Suicide Blonde", "Disappear", "Need You Tonight", "Never Tear us Apart" e "Beautiful Girl". 

      O Men at Work só gravou 3 discos de estudio: "Business as Usual" (1981), "Cargo" (1983) e "Two Hearts" (1985). O sucesso dos dois primeiros discos foi tão estrondoso que levou o nome da bandas até os mais altos padrões. Depois da premiação com o Grammy Award (um dos troféus mais importantes) em 1983 a banda infelizmente deixou a música de lado para começar uma briga por direitos que nunca terminou. Em 1985 a situação já estava insuportável entre os integrantes e a gravadora. Após a gravação do terceiro disco em meio a guerra o fim foi anunciado. O vocalista Collin Hay seguiu em carreira solo. Em 1996 se juntou com o baterista Greg Ham e gravaram um disco ao vivo no Brasil. Em 2012 Greg foi encontrado morto e as suspeitas logo cairam em Collin Hay. O caso esta sendo investigado!

      Em uma ilha tropical imensa com o clima intensamente favorável o ano todo, a única coisa que faltava para os surfistas era uma banda que representasse tudo isso. Pois então surgiu o Hoodoo Gurus. A ideologia conquistou não só os surfistas da Austrália como os de todo o mundo. Formado no início dos anos 80, os primeiros discos fizeram mais sucesso internamente, mas no início dos anos 90 suas músicas acabaram se tornado universais. A banda inspirou outros conjuntos que quase atingiram a mesma fama do Hoodoo Gurus como Spy V& Spy. Seus maiores hits são: "Another World", "1000 Miles Away", "Death Defying", "Come Anytime", "Tojo" e "I Want You Back".   

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Zé do Caixão (box)

      José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, é o personagem principal deste post inteiramente dedicado a esse grande artista brasileiro. Nascido em São Paulo em 13/03/1936, se tornou cineasta, roteirista e ator já nos anos 50. Muita gente não sabe mas José Mojica além de criar o seu maior e principal personagem "Zé do Caixão", dirigiu filmes de outros gêneros como faroeste, drama, filmes de aventura e pornochanchada. 

          Lançado em 2009 o box "Coffin Joe Collection...the Master of Terror" contém 9 de seus maiores sucessos na arte do terror. O que precisa ser frisado nestes comentários que fiz logo abaixo sobre cada um desses 9 filmes, é que estamos falando de produções extremamente pobres no sentido de orçamento, por isso, infelizmente a qualidade peca, principalmente nos requisitos industriais. Não há atores que dividem a atenção da cena, a grande maioria são meros amadores e outros apenas figurantes em busca de alguns trocados. Por isso, a presença de "Zé" rouba todas as cenas! Pelo fato da precariedade de áudio, a maioria das vozes eram dubladas, inclusive as do próprio Mojica, por isso é possível perceber todo seu talento com sua dramaticidade, expressão corporal e improvisação.      
     
      Fazer filmes de terror no Brasil nos anos 60 no meio de uma ditadura militar e de um povo totalmente supersticioso, cheio de dúvidas e preconceitos, era como fabricar um foguete e mandar para lua, como o próprio Mojica costumava dizer em suas entrevistas. Até hoje ninguém ousou fazer coisa parecida, nem mesmo filmes de terror! O personagem Zé do Caixão, é conhecido no mundo como Coffin Joe (este ano esta completando 50 anos) e seus filmes são bem aceitos por apreciadores do gênero e colecionadores. É uma pena que no seu país, José Mojica Marins não tem o reconhecimento que merece! Por isso, como um amante da arte do cinema, acho que devo mostrar um pouco dessa história para quem não conhece e deixar para gerações futuras um incentivo de como fazer você mesmo sua arte com os recursos que tem. No final da página, você pode conferir um trecho de cada filme clicando nos links. Agora ninguém mais pode dizer que tinha vontade/curiosidade de conhecer os filmes de Zé do Caixão mas não sabia como!

 
      O primeiro filme deste box é também o primeiro do personagem Zé do Caixão. José Mojica já havia aparecido no cinema em 3 outros trabalhos anteriores a este interpretando outros personagens. "A meia noite levarei sua alma" de 1963 também pode ser considerado o primeiro filme de terror do Brasil. A história se passa numa cidade pacata onde o agente funeral Josafel Zanatas (Zé do Caixão) exibe toda sua arrogância e superioridade por se tratar de uma figura temida devido ao seu visual sombrio. Obcecado pela continuação da vida, Zé do Caixão ateu declarado, parte em busca de uma "mulher superior" para ter um filho. Frustrado, se envolve em vários crimes. Blasfemador, ele desafia todos os que assassinou a voltarem para levar sua alma, o que de fato acontece! Esta estréia em grande estilo só pode ser continuada 3 anos depois, com o nome: "Esta noite encarnarei no seu cadáver". (capa abaixo).

      Zé do Caixão reaparece na cidade depois de um tempo desaparecido com um visual um pouco mais maduro e com unhas enormes. O macabro Zé não desiste de buscar a "mulher superior" para ter um filho e submete um terrível teste com aranhas e cobras sobre suas vítimas sequestradas. Como diretor, José Mojica explora mais o lado das alucinações e visões morbidas, sem perder a característica principal de interpretação de sua literatura macabra. Um trecho do preto e branco do filme da lugar a cenas em colorido, quando Zé do Caixão é lavado para um uma espécie de inferno. Uma grande sacada cheia de cores bem fortes com destaque para o vermelho. Algo que deve ter custado bem caro, numa época onde os filmes em colorido ainda eram uma novidade! 


      Em 1968, José Mojica deu um tempo nos contos de Zé do Caixão e investe em outro personagem, o psicopata "Odéz Oãxiac". Uma mudança apenas no visual. O sobretudo e a cartola preta dão lugar a um penteado estranho e um brinco enorme! Um casal é convidado para sua mansão e chegando lá são obrigados a assistirem um verdadeiro show de horror com pessoas sendo torturadas. Este "Estranho mundo de Zé do Caixão" se resume a essa temática. Uma ousada tentativa de lançar um outro personagem, porém usando a mesma barba, uma marca que se tornou clássica de Zé do Caixão, cada vez mais popular, chegando até ser confundido com o próprio José Mojica Marins. 

      Logo na sequência, José Mojica resolve aparecer no filme "O Despertar da Besta...o ritual dos sádicos" como diretor e também como Zé do Caixão, afim de desmistificar e separar um pouco o personagem do pessoal. Algo que estava ficando muito rotulado na época! O tema deste filme é bem diferente de tudo que foi lançado até aquele momento. Quatro pessoas usuárias de drogas são submetidas a um teste para descobrir qual proporcionou a melhor "viagem". Entre os testes estava assistir um filme de Zé do Caixão. Sem que os voluntários soubessem que estavam tomando placebo (remédio falso), apontaram a arte do filme como a melhor experiência alucinógina entre as opções oferecidas. Falar de temas polêmicos como religião, drogas e sexo sempre foi um ponto forte de José Mojica que fazia deste tabu, uma marca registrada. Este filme como vários outros foi proibido pela censura. Os militares não queriam mostrar as pessoas consumindo drogas no centro da cidade, uma realidade que só mesmo um diretor muito ousado poderia retratar!


     
      Famoso entre outras coisas por sua poesia macabra, este filme "Finis Hominis...o fim do Homem" de 1971 o personagem de mesmo nome interpretado por José Mojica não fala muito. Este sujeito estranho e misterioso passa a ser observado e seguido por onde passa. O desafio do filme é mostrar como o ser humano é capaz de idolatrar outro ser humano com pequenos gestos e atitudes. O ponto alto do filme é quando este estranho homem entra num velório e faz levantar do caixão um cadáver, deixando todos perplexos e admirados com o seu poder convincente.

     
      
      No filme: "A Estranha Hospedaria dos Prazeres" de 1976, José Mojica faz o papel de proprietário de um hotel misterioso. Pessoas chegam neste hotel o tempo todo a procura de um abrigo para passar uma  noite e seguirem viagem no dia seguinte. Sem fazer cadastro, o nome destes "privilegiados" já estavam na lista sem que soubessem, pois se tratava da entrada para o reino da morte. Lugar este onde os convidados ficam todos bem à vontade com muita bebida, jogos e sexo. José Mojica tem uma atuação discreta, sempre bem elegante com os seus convidados e expulsando com rigor os que não estavam na lista, causando muita agitação no hall do hotel.
     
     
"Inferno carnal" de 1977 é um conto de terror inspirado nos quadrinhos e nos curtas de Mario Bava, famoso diretor italiano que gostava de dirigir casos misteriosos, envolvendo traição e morte. Tudo isso pode ser encontrado nessa história de suspense onde Mojica interpreta o Dr. George. Após um incidente com sua esposa atirando-lhe ácido em seu rosto, Dr.George aparece quase que o tempo todo com uma máscara, lembrando muito o personagem Nosferatu (careca com unhas compridas e usando um sobretudo). O desenrolar do filme é o suspense criado pela situação, gerando muita ansiedade pela vingança de George que acontece com grande estilo e um final surpreendente!  
   
      Em 1978 foi a vez de Zé do Caixão entrar novamente em cena através do pesadelo de um sujeito que acredita no personagem de carne e osso. "Delírios de um anormal" praticamente não há nada de novo nas imagens, que são frutos do pesadelo deste sujeito. Somente algumas cenas que ficaram de fora dos primeiros filmes foram acrescentadas. O próprio Mojica aparece no filme mais uma vez a pedido de uma equipe médica para ajudar a provar para esse homem que o personagem não existe. O desfecho fica por sua própria conta e curiosidade! 
       O nono e último filme do Box é um documentario de 1 hora, contando um pouco da história de José Mojica Marins, com imagens raras e trechos de entrevistas.

José Mojica Marins
Clique nos links abaixo para ver trechos de cada um dos filmes citados.

http://www.youtube.com/watch?v=nznbTrNetV0 (A meia noite levarei sua alma 1963)
http://www.youtube.com/watch?v=uBledbI2_9A (Esta noite encarnarei no seu cadáver 1967)
http://www.youtube.com/watch?v=pfAEaK95PAU (O estranho mundo de zé do caixão 1968)
http://www.youtube.com/watch?v=hdoARt-qJy8 (O despertar da besta 1969)
http://www.youtube.com/watch?v=_RS5NdxZ0fs (Finis Hominis 1971)
http://www.youtube.com/watch?v=nwrqgYW-aQE (A estranha hospedaria dos prazeres 1976)
http://www.youtube.com/watch?v=sIbALAj7Hqo (Inferno carnal 1977)
http://www.youtube.com/watch?v=PhAn4TPiztw (Delírios de um anormal 1978)


domingo, 23 de dezembro de 2012

Memórias do Rádio

      Minha experiência com rádio começou quando eu ainda era criança nos anos 80. Aprendi a gostar de música e de acompanhar as jornadas esportivas dos grandes narradores do meu período. Neste post vou falar um pouco sobre a importância do rádio na minha vida. Tenho muito carinho por este grande amigo que me ensinou muita coisa, me mantém informado e que principalmente esteve comigo em muitos momentos inesquecíveis,  fazendo muita companhia nas horas mais solitárias.  
CHAMADA DE RÁDIOLA O MODELO SANYO 1980
      Nos anos 80, só tinha uma TV em casa, e quando meus  irmãos e eu não estávamos brigando por um canal, meu pai chegava em casa depois do trabalho no fim da tarde e resolvia o problema dominando a TV sem firulas, como todo bom "chefe de família" respeitado da época! Na esperança de ouvir alguma notícia boa para a classe operária, meu pai assistia os telejornais do dia. Eu era uma criança e não estava interessado nisso na época. Como eu não queria assistir o "Jornal Nacional" nem "Novela", nesta hora eu corria para meu quarto (dividido com mais dois irmãos) e ficava ouvindo música numa "Radiola" da Sanyo (foto acima). Nós todos gostávamos de rock, e o Guns n' Roses foi a primeira banda a estabelecer uma unanimidade entre nós, já que na TV e no futebol cada um tinha sua preferência. Até que finalmente em 1989 com dinheiro sofrido do meu pai compramos os discos "Appetite for Destruction" e o "Lies" (dois pelo preço de um e meio). Eram os primeiros discos de rock de uma série que só migrou para o CD por volta de 1995. Mas tudo isso sem abandonar o rádio, que ajudava muito a conhecer as bandas. Foi graças a ele, que compramos nosso primero disco.
GUNS N' ROSES
O PRIMEIRO DISCO
      Adolescente quer ter privacidade, e eu já não podia mais usar o "3 em 1" do meu pai a qualquer momento por causa dos gostos diferentes da família de 5 pessoas. Na época não gostava das músicas que meus pais ouviam, eu só queria saber de rock pesado! Mas hoje em dia respeito bastante o gosto musical dos dois e consigo ouvir junto com eles algumas coisas que na época era impossível. Foi minha mãe por exemplo que me ensinou a gostar de Raul Seixas (que hoje gosto tanto) e alguma coisa de samba de raiz. Já meu pai (pernambucano mais radical) me ensinou a admirar nomes de ícones da música brasileira como Luiz Gonzaga e muitos outros, principalmente "letristas" (como ele costuma falar) como "Trio Nordestino" e "Tião Carreiro e Pardinho". 
MOTORADIO ANTIGO

      Além de ouvir música também tinha os jogos de futebol e como único são paulino da família tive que apelar para o enorme "Motoradio' (foto ao lado) até alguns anos mais tarde quando meu pai pode comprar um rádio com fones de ouvido, o popular "WalkMan", o presente preferido de 4 em 5 adolecentes dos anos 80 e início dos 90. Nunca vou esquecer o Motoradio gigante...muito potente na hora dos gols...eu era um legítimo "torcedor de radinho"!!! Estava assim resolvido dois grandes problemas e iniciando uma grande relação com essa "caixa mágica falante" chamada rádio...que dura até hoje mesmo com tantos outros recursos eletônicos. 

Um pouco de história do rádio

     O rádio foi criado em várias etapas por vários "inventores" até se tornar o que mundialmente conhecemos do aparelho em seu formato. Isso mesmo, vários "pedaços" do rádio foram criados por pessoas diferentes em épocas diferentes. O alemão Daniel Ruhmkoff criou o Emissor de ondas, outro alemão Siemens criou o Dínamo, o russo Aleksandr Popov inventou a antena, o italiano Marconi  fez a primeira comunicação, enfim, eu considero o crédito a todos eles, mas quanto mais você pesquisa mais vai encontrar versões diferentes. Até Graham Beel (inventor do telefone) e Thomas Edison (inventor da lâmpada) tiveram participações fundamentais: no rádio Bell foi responsável pelo microfone e Thomas por registrar sons em cilindros. 
     No final do século XIX até 1922 o rádio era mais usado para transmitir comunicações entre localizações de tropas de guerra (foto acima). Com certeza, por ser mais antigo que a TV, o rádio marcou muitas pessoas que souberam através dele informações importantíssimas como a posse ou morte de um presidente, o início e o fim da segunda guerra e as transmissões dos jogos da Copa do Mundo de futebol. O rádio foi durante muito tempo o jornal de quem não podia comprar informação, a escola de quem não podia estudar, o entreternimento gratuito das massas. 
      O dia comemorativo ao rádio, 25 de setembro, ocorre pelo nascimento de Roquette Pinto, considerado o “Pai do Rádio Brasileiro”. Foi no ano de 1923, precisamente no dia 23 de abril, que nascia a Rádio "Sociedade do Rio de Janeiro", fundada pelo antropólogo Roquete Pinto e por Henry Morize, diretor do Observatório Astronômico. Históricamente, foram eles os precursores do rádio no Brasil. Edgar Roquette Pinto morreu aos 70 anos em 1954.


Rádio AM/FM e transmissões esportivas      

A KISS FM ESTA COMIGO
 HÁ 10 ANOS
      Até que eu pudesse finalmente trabalhar e comprar meus discos e fitas K7 ouvi muito as rádios FM de São Paulo. No início era qualquer uma mas depois fui me identificando mais com as rádios que tocavam "rock". Ouvi muito a Transamérica entre o final dos anos 80 e início dos 90, depois mudei para a 97 FM que na época era uma rádio só de rock, porém pegava muito mal na minha casa e nela fiquei até surgir a 89 FM, rádio que no início deu muito apoio ao Viper e ao Angra. Algumas rádios que não eram de rock tinham programas de rock dentro da programação como o "Grafite" e o "Doidera" da Nova FM, que não tinha nada a ver com a atual "Nova Brasil FM". 
A 89 ERA MUITO LEGAL NO INÍCIO
      A concorrência musical naquele tempo era muito boa. Muita banda de nome ainda estava em atividade. Era muito comum dar um "giro" pelas rádios e encontrar por exemplo um Ramones, tocando músicas de seu novo disco e na rádio ao lado uma sequência de bandas grunge, um lançamento na época que não tínhamos certeza que durariam pelo fato do rock estar na moda! O metal também tinha seu espaço e as estreias de Pantera, Orgasmatron na versão do Sepultura e Fear of the Dark tocavam pelo menos 5 vezes por dia nas rádios FMs. Para quem curtia algo mais cadenciado, bandas como REM, U2, Depeche Mode, eram encontradas diariamente nas rádios que se julgavam pop desde os anos 80. Hoje essas bandas levam o nome de rock e as rádios pops atuais são bem diferentes...e muito ruins!    
EU VI A RÁDIO CBN NASCER

      Por 10 anos a Kiss FM  esta sendo a minha preferida quando não estou afim de ouvir um CD. Só faz revezamento no meu estéreo com a rádio "CBN notícias" no qual vi nascer e recentemente completou 20 anos. A CBN também tinha uma parceria com a rádio globo de São Paulo e fazia transmissões dos jogos no mesmo horário, assim ficavam duas opções de jogos com os narradores da Globo.
OSMAR SANTOS

      Me lembro de um inesquecível São Paulo 3X0 Corinthians no Pacaembu em 1993 que foi transmitido por Osmar Santos e no Morumbi no mesmo horário estava acontecendo Palmeiras 3X1 Santos com Oscar Ulisses. As duas rádios parceiras abriram as duas narrações ao mesmo tempo sendo que cada um no seu estádio narrava um ataque até a bola sair e assim foram revezando. Nenhum gol das partidas deixou de ser narrado. A sintonia entre os irmãos era perfeita! Devido a um acidente de carro em 1994, Osmar Santos nunca mais voltou a narrar uma partida...uma pena! 
FIORI GIGLIOTTI
      Hoje em dia as transmissões das principais rádios esportivas são no FM mas não era assim antes, o AM dominava o rádio! Meu pai era um grande fã do Fiori Gigliotti que durante muito tempo foi da rádio Bandeirantes AM, hoje em dia a equipe de Esporte da Bandeirantes é forte no FM.
      Era muito comum, as rádios AM estarem presentes na companhia até das donas de casa. Quem tem mais de 30 ou 40 anos sabe como era comum as nossas mães fazerem os serviços doméstico na compahia de radialistas famosos como: Paulo Lopes, Paulo Barbosa, Eli Corrêa, Zé Béttio, Gil Gomes e vários outros.
     Eu tive minha experiência com uma "rádio pirata" em Mauá no ano de 2004. Eu tinha banstante CD de Rock/Metal na época (e ainda tenho) e fui convidado a fazer um set-list aos domingos a tarde. Fiz o programa que só tinha 1 hora de duração por 2 meses. Não me lembro o nome da rádio muito menos a sintonia, mas lembro que era divertido! Fiquei com medo de baixar alguma fiscalização e perder os CDs e por isso resolvi sair. É claro que não ganhava nada mas valeu muito a pena ter vivido essa experiência com algo que gosto tanto. Salve o rádio!!! 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Futebol Norte/Nordeste

      Nos últimos 25 anos, somente 10 equipes da região norte/nordeste disputaram a série "A" do principal campeonato de clubes do país, o "Campeonato Brasileiro". É muito pouco para uma região tão grande com tantos times tradicionais que possuem torcidas enormes que poucos times da Europa tem! Neste post vou falar das conquistas, rivalidade, tradição dos clássicos e procurar desvendar junto com você leitor, qual é o fenômeno que impede os clubes do norte/nordeste de disputarem os principais títulos nacionais de igual para igual com os times da região sul. O que mudou na fórmula de disputa do campeonato brasileiro de 1971 à 1987 (ano da Copa União) e quais as consequências que esse campeonato resultou. 
      Para os times da região norte/nordeste soltarem o grito de "campeão" no ano, só mesmo com os campeonatos estaduais. Por isso, para promover o futebol da região a partir do ano que vem (2013) a Copa do Nordeste voltará a ser disputada com apoio da CBF e permitirá ao campeão, disputar a Copa Sul Americana. Esta é uma medida para tentar resgatar o prestígio dos times do nordeste, uma vez que sua presença na série "A" do campeonato Brasileiro com chances de rebaixamento infelizmente superam as chances de título.

Veja todos os campeões da Copa do Nordeste e da
 Copa Norte/ Nordeste:


O Vitória é o maior campeão da Copa do Nordeste
1952 Náutico*
1964 Ceará*
1968 Sport Recife*           
1969 Ceará*
1970 Fortaleza*
1971 Remo*
1976 Vitória
1994 Sport Recife
1997 Vitória
1998 América de Natal
1999 Vitória
2000 Sport Recife
2001 Bahia
2002 Bahia
2003 Vitória
2010 Vitória
*Copa Norte/Nordeste

Bahia, Sport Recife e Paysandu, os únicos com título nacional 
     

      Quando o assunto é título nacional a situação também não é boa para os times do norte/nordeste em relação aos times do sul. A região mais pobre do país contém apenas 5 títulos de nível nacional, envolvendo times do sul na mesma competição. Vamos falar sobre eles:
      De menor expressão, porém valorizado na época e recentemente reconhecido pela CBF, o Bahia venceu a primeira competição nacional do país, a "Taça Brasil" em 1959. Para ser campeão o Bahia teve que passar pelo Vasco e Santos num total de 6 partidas. Já o título do Bahia em 1988 tem o mesmo "quilate" dos demais campeões do brasileirão, sendo o melhor time da competião num total de 19 partidas, superando o Inter na grande final.
      Outro time do Nordeste que também possui dois títulos nacionais é o Sport Recife que venceu a Copa União do módulo Amarelo em 1987, uma espécie de segundo escalão de clubes divididos em dois grupos. Como o Flamengo (vencedor do primeiro escalão) se negou a jogar contra o Sport por entender que disputou a primeira divisão (o que é também a minha opinião) a CBF declarou os dois clubes campeões daquele ano, e ao Sport o direito de representar o Brasil na Libertadores de 88 junto com o Guarani (vice campeão). Embora esta decisão ainda mude de resultado sempre que alguém entra com recurso. O segundo título nacional do Sport Recife foi a "Copa do Brasil" de 2008. Superando na campanha: Palmeiras, Inter, Vasco e Corinthians na final.  

      O único título nacional de um clube do Norte foi vencido pelo Paysandu do Pará em 2002, a "Copa dos Campeões". Esse torneio tinha finalidade de classificar um time para a Libertadores do ano seguinte (2003). O Paysandu foi o campeão, superando Corinthians, Fluminense, Náutico, Bahia, Palmeiras e Cruzeiro na Final. Hoje em dia com o Campeonato Brasileiro de pontos corridos esta necessidade de um torneio classificatório não existe mais. Bom para o Paysandu que através desta competição chegou até vencer o Boca Juniors na Argentina, porém foi eliminado no jogo de volta por 4 a 2. Valeu a experiência!


Outras curiosidades   

      Esse fato dos clubes da região mais pobre não terem tantas chances de título como no restante do país não é uma exclusividade só do Brasil. Na Itália por exemplo, acontece algo semelhante: Somente um time da região sul (a mais pobre do país) conquistou duas vezes o Campeonato Italiano em mais de 100 anos de disputa. Esse clube foi o Napoli em 1987 e 1990.
      Na Alemanha os times da antiga Alemanha Oriental (lado mais pobre) não conseguem boas campanhas na Bundesliga (serie "A" Alemã). Após a unificação das duas competições por conta das Alemanhas que voltaram a ser um único país, somente os times da antiga Ocidental conseguiram ser campeões.
SPORT RECIFE CAMPEÃO DA COPA UNIÃO DE 1987
      O ano de 1987 foi um ano fundamental para o destino do campeonato brasileiro. O "Clube dos 13" organizou a "Copa União" com somente 16 equipes, afim de reduzir o número de participantes que um dia já foi até de 94 times em 1979. A CBF organizou também um campeonato paralelo com 16 times que ela entendeu na época que mereciam disputar uma espécie de segundo módulo e cruzar na final os dois campeões de cada competição. O jogo Flamengo X Sport Recife (campeões de cada torneio) nunca aconteceu, mas depois disso o campeonato brasileiro nunca mais teve um número tão alto de participantes. Por isso, me refiro sempre aos últimos 25 anos como estatística, pois esse mudança ajudou a organizar melhor o principal campeonato do país, porém alguns times do norte/nordeste nunca mais conseguiram obter vaga no grupo de elite.  

Torcidas do Norte/Nordeste


símbolo das torcidas organizadas de Pernambuco

    Entre as torcidas, a rivalidade interna é muito acirrada como acontece também com o resto do país. As torcidas organizadas dão um verdadeiro show na arquibancada, sendo na minha opinião, as torcidas que mais incentivam o time, lembrando bastante as torcidas de alguns países sul-americanos que são acima da média nesse requisito. Bem diferente do que acontece com as torcidas do sul com duas ou três excessões que perdem a paciência logo nos primeiros minutos e vaiam durante o jogo. Além de lotar estádios e de se destacarem na aquibancada com a camisa da torcida organizada (todas iguais como deve ser) a violência das torcidas na região norte/nordeste é muito menor do que na região sul. Seria um fato cultural da vida estressada da região sul ou puro reflexo da violência na cidade grande? Acho que um pouco das duas coisas!
    


Ainda falando sobre torcida, o que mais incomoda mesmo os torcedores do nordeste são os próprios nordestinos que preferem os times de outros estados. O Flamengo, time de maior torcida do país é o time mais popular da região norte/nordeste com mais de 20 milhões de torcedores espalhados por toda região (em todo Brasil são quase 40 milhões). Depois dos 12 clubes mais tradicionais do Brasil, a torcida do Bahia aparece em 13° lugar na classificação geral, sendo assim a maior torcida do norte/nordeste com aproximadamente 2,5 milhões de torcedores. Isso seria equivalente a uma torcida de um time tradicional Europeu como Roma (Ita), Arsenal (Ing) ou Porto (Por). Depois pela ordem aparecem: Sport Recife com 2,1 milhões , Vitória 1,8 milhões, Santa Cruz 1,6 milhões, Ceará 1,3 milhões, Fortaleza 1,1 milhões, Náutico 0,9 milhões, Paysandu 0,7 milhões e Remo 0,6 milhões.
Veja video de demonstração das torcidas organizadas dos times do Nordeste clicando neste link: www.youtube.com/watch?v=FaQzAknBUJ0&feature=related 


 
Entre os clássicos de maior rivalidade, destacam-se:



Bahia X Vitória-  O Bahia tem mais títulos estaduais que o rival Vitória, são 44 contra 26. A maior cidade do Nordeste Brasileiro (Salvador tem aproximadamente 2.693.605 habitantes) presenciou 35 partidas decisivas do campeonato baiano que envolveram finais e quadrangular finais (finais antecipada) entre estas duas equipes. Desta vez a vantagem é do Rubro-negro que levou a melhor sobre o Tricolor 18 vezes contra 16 (segunto levantamento histórico que eu mesmo fiz pois cada site defende seu clube e não reconhece algumas derrotas para o rival). O dois times costumam se manter na primeira divisão do campeonato brasileiro. Da conquista do campeontao brasileiro de 88 até 2012 o Bahia esteve presente 15 vezes na serie "A" enquanto o rival (que foi vice campeão em 1993) marcou presença em 17 campeonatos. No total os dois já estiveram presentes 32 vezes cada. Os dois clubes não disputam uma partida pelo brasileirão desde 2003.

Ceará X Fortaleza- Equilíbrio é a palavra chave deste jogo chamado de "clássico-rei", reunindo as duas maiores equipes  da segunda maior cidade do nordeste. A capital Fortaleza tem aproximadamente 2.476.111 habitantes que se dividem entre Alvinegros e Tricolores. Em títulos estaduais a vantagem é do Ceará, porém pequena, 41 contra 39. Nas decisões entre as equipes a situação também é equilibrada pois cada um já comemorou o título sobre o rival 16 vezes. Nos últimos 25 anos a ausência dos dois clubes na primeira divisão foi bem acentuada. Cada um só participou 4 vezes num total de 21 participações do Ceará contra 20 do Fortaleza. A melhor colocação do Ceará num brasileirão foi um 7° lugar em 1985 e o Fortaleza foi 13° em 2005.




Sport Recife X Santa Cruz- Conhecido como "clássico das multidões" justamente por terem as duas maiores torcidas de Pernambuco, este confronto já decidiu o campeonato pernambucano 21 vezes sendo super equilibrado com 11 títulos para o Sport e 10 para o Santa. A vantagem nos títulos estaduais também é do Sport 39 à 26. Porém as últimas duas decisões foram vencidas pelo Santa na casa do Sport, acirrando ainda mais a rivalidade. Desde a Copa União de 1987, vencida pelo Sport (que disputou o módulo amarelo enquanto o Santa o módulo verde), o Sport se manteve na primeira divisão em 18 temporadas (31 no total) enquanto o rival só disputou a serie "A" 5 vezes (20 no total). Além disso, o Santa vive a pior fase de sua história amargando a 3° divisão. A melhor colocação do Santa no brasileirão foi um 4° lugar em 1975. Recife tem aproximadamente 1.546.516 habitantes, sendo assim a terceira maior cidade do nordeste. 
      O Náutico é o segundo maior rival de Sport Recife e Santa Cruz. Já foi campeão pernambucano 21 vezes, sendo o único hexa campeão até hoje (1963 à 1968). Em campeonatos brasileiro já obteve 26 participações na  série "A", sendo 9 delas nos últimos 25 anos. Sua melhor colocação foi um 6° lugar em 1984. Contra o Sport Recife o jogo é chamado de "clássico dos clássicos" e contra o Santa Cruz o jogo é chamado de "clássico das emoções".
Remo X Paysandu-  O clássico pode ser chamado de o maior do Brasil por um fato: Nenhum outro jogo aconteceu mais vezes no país do que Remo X Paysandu. Até 2012 foram computadas mais de 700 jogos entre as equipes. É um dos maiores confrontos do mundo em números. O Paysandu venceu 44 campeonatos paraenses contra 42 do Remo. Contra o rival em finais o Remo tem uma pequena vantagem, saindo de campo campeão 17 vezes contra 16 do Paysandu. Os dois times vivem uma crise que parece não ter fim e variam entre a terceira e quarta divisão. A melhor colocação do Remo na série "A" foi um 7° lugar em 1993. Foram 16 participações ao todo sendo apenas 3 nos últimos 25 anos. O Paysandu participou 10 vezes da série "A" sendo apenas 4 nos últimos 25 anos. Sua melhor colocação foi também um 7° lugar em 1971.  Belém tem 1.402.112 habitantes.